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	<title>Enquanto Tento Escrever Um Romance</title>
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	<description>Del&#237;rios liter&#225;rios do escritor Marcelo Benvenutti enquanto tenta escrever um romance, public&#225;-lo por uma grande editora e ter milhares de leitores.</description>
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		<title>Enquanto ...</title>
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		<dc:date>04.11.06</dc:date>
		<dc:creator>mutante.voy</dc:creator>
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		<description>&#160;
... o&#160;Lorenzo ( http://cervejaefralda.blog.terra.com.br&#160;) deixa, eu escrevo. Mas nas &#250;ltimas semanas tenho escrito mentalmente. Recontando o que imaginei. Escrever n&#227;o &#233; simplesmente jogar na tela e no papel. Essa &#233; a parte final. Escrever vem antes. Muito antes. Praticamente desde que nascemos. Logo, n&#227;o acredito em quem diz que parou de escrever ou que teve um branco criativo. &#201; a diferen&#231;a que existe em quem sabe escrever bem e quem &#233; um escritor. Necessariamente quem sabe escrever bem n&#227;o &#233; um escritor. Pode ser s&#243; um redator. Um escritor envolve muito mais. Envolve a alma. E n&#227;o existe escritor sem alma.
&#160;
De jeito nenhum.
&#160;
&#160;</description>
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	<item rdf:about="http://enquanto.blog.terra.com.br/o_sorriso_do_silencio">
		<title>O Sorriso do Sil&#234;ncio</title>
		<link>http://enquanto.blog.terra.com.br/o_sorriso_do_silencio</link>
		<dc:date>09.10.06</dc:date>
		<dc:creator>mutante.voy</dc:creator>
		<dc:subject></dc:subject>
		<description>&#160;
Queria escrever um romance que mantivesse o equil&#237;brio entre o racional e o emocional. Que a hist&#243;ria tivesse a simplicidade das grandes hist&#243;rias, dos amores perdidos, das perdas sofridas, das desgra&#231;as alheias, das pequenas com&#233;dias di&#225;rias. Mas que ao mesmo tempo constru&#237;sse um imagin&#225;rio na mente do leitor que nascesse da raz&#227;o intuitiva do autor. Que o autor n&#227;o descambasse para a poesia de auto-ajuda ou o a literatura esot&#233;rica, pragas t&#227;o comuns na literatura contempor&#226;nea. 
Quando falo em emocional, falo em entrega. Falo como dizia Tim Maia. N&#227;o se pode escrever sobre dor de cotovelo sem nunca ter sofrido um rev&#233;s amoroso. O autor tem que estar entregue junto na embalagem do livro. Sua alma, que n&#227;o precisa necessariamente sua, pode ser roubada, mas que ser&#225; a sua vivendo na pele de outro seus pr&#243;prios dilemas. Ou ser&#225; o autor vivendo dilemas que n&#227;o os dele, mas carregando dentro desses tramas os seus pr&#243;prios medos e desejos mais secretos. Ser&#225; um ator o autor. Mas um autor que constr&#243;i dentro de seu pr&#243;prio espectro as vidas interiores de seus personagens. Dentro dessa incorpora&#231;&#227;o o autor se entrega como se entrega o bom ator em um palco ou atr&#225;s das telas. Al&#233;m da personagem ou da trama, est&#225; ali o espelho da alma do int&#233;rprete. Mas s&#243; que essa alma n&#227;o deve ser completa. Deve ser um peda&#231;o. Um detalhe. Mais que uma entrega, &#233; uma troca. O autor entrega sua alma para receber dos leitores seus sonhos e capturar seus desejos mais &#237;ntimos. Essa simbiose se materializa no ser h&#237;brido chamado livro. 
Por&#233;m tudo deve ser entrela&#231;ado pela simplicidade no vocabul&#225;rio e na beleza da forma. Tal qual m&#250;sica, poucas notas s&#227;o necess&#225;rias para que se crie a beleza pl&#225;stica. Assim como as cores b&#225;sicas se misturam e formam as mais variadas imagens na mente de artistas livres de esp&#237;rito. A beleza da forma nasce na subjetividade. No del&#237;rio da contempla&#231;&#227;o dos objetos. Na racionaliza&#231;&#227;o dos sentimentos mais prim&#225;rios e humanos. J&#225; a simplicidade do vocabul&#225;rio se adquire ao saber o autor usar da complexidade da l&#237;ngua para dizer em poucas palavras o que um intelectual, que me desculpem os pr&#243;prios, inclusive posso ser um deles, mas s&#227;o uns chatos, levaria aludas e laudas de nosso santo saco para descrever em min&#250;cias sapienciais e est&#250;pidas. N&#227;o prego aqui uma diminui&#231;&#227;o do estudo, da leitura ou da linguagem. N&#227;o! Mas existe muito mais complexidade em ser direto e simples e ao mesmo tempo belo e &#250;nico. A imagina&#231;&#227;o &#233; uma ci&#234;ncia que se pratica pelo desligamento de nosso aprendizado adquirido depois do nascimento aliado ao pr&#243;prio conhecimento conquistado pela viv&#234;ncia e conviv&#234;ncia. 
Paradoxal? 
Sim. E n&#227;o. Como a pr&#243;pria resposta que acabo de fornecer para minhas pr&#243;prias d&#250;vidas. Como o autor sentado em um banco de pra&#231;a fumando um cigarro e observando a vida alheia passando pela sua frente e em certo momento enxergar ele mesmo passando. Ele apaga o cigarro e ele mesmo acende outro na sua frente. O espelho de sua alma e de seu mundo refletidos nos espelhos dos olhos de seus leitores. Todos unidos pelo estranhamento da exist&#234;ncia. Pelo prazer da vida. Por medos seculares. Unidos pela imagina&#231;&#227;o transposta em pequenos caracteres que dan&#231;am e tocam a m&#250;sica inaudita da literatura. 
A m&#250;sica que para escutar basta apenas ficarmos em sil&#234;ncio. 
E sorrirmos. </description>
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	<item rdf:about="http://enquanto.blog.terra.com.br/argumento">
		<title>Argumento</title>
		<link>http://enquanto.blog.terra.com.br/argumento</link>
		<dc:date>28.09.06</dc:date>
		<dc:creator>mutante.voy</dc:creator>
		<dc:subject></dc:subject>
		<description>&#160;Um argumento nasce para mim basicamente do nada. Mas esse nada &#233; tudo. As associa&#231;&#245;es de id&#233;ias v&#227;o se formando ao longo dos anos em minha rede de neur&#244;nios at&#233; que um &#250;ltimo estalo faz com que todas transbordem juntas e seja imposs&#237;vel controlar o desenrolar da hist&#243;ria que escreverei. Poderia dizer que funciona como a fermenta&#231;&#227;o da cerveja. Ou como o envelhecimento do vinho no barril. Algumas vezes acontece assim. Mas na maioria das vezes, e quando eu realmente me sinto livre e pleno acontece como a constru&#231;&#227;o de uma barragem. Um romance que valha a pena ser escrito, lido e relido funciona assim mesmo. Ao longo do tempo a barragem &#233; constru&#237;da, o rio vai sendo nivelado e depois fecham-se e abrem-se as comportas de acordo com a necessidade de gera&#231;&#227;o de energia. O romance &#233; ent&#227;o o lago que se forma e que por muito e muito tempo vai iluminar centenas, milhares de casas. Quanto ao argumento do romance que escrevo agora, a barragem j&#225; foi constru&#237;da e agora resta deixar que o lago se forme. Admito que n&#227;o consigo transpor esta id&#233;ia de romance em algum esquema compreens&#237;vel para outras pessoas. Algumas vezes j&#225; tentei e me parece bem mais plaus&#237;vel, para meus interesses em public&#225;-lo e para a compreens&#227;o de meu primeiro p&#250;blico-alvo, o editor, que sua primeira leitura seja feita apensa depois de pronto e devidamente revisado, visto a desordem mental que me toma quando escrevo destrambelhadamente como &#233; o costume. Mesmo tentei participar de concurso e &#243;bvio que foi um desastre. N&#227;o tenho a m&#237;nima condi&#231;&#227;o de ordenar o argumento como se fosse um organograma para um bando de burocratas liter&#225;rios. Ali&#225;s, considero que basta ler o que algu&#233;m escreve para saber se o tal tem condi&#231;&#245;es de ser um bom escritor. Como fazia um antigo olheiro de futebol. Jogava a bola rente ao ch&#227;o e gritava &#8220;cabeceia!&#8221; Se o sujeitinho se jogasse no ch&#227;o, pode largar, n&#227;o joga nada. E, pra ser bem sincero, tem muita gente cabeceando no ch&#227;o por a&#237;. Queria eu escrever um romance como A Rua das Ilus&#245;es Perdidas, de Steinbeck, ou um Enquanto Agonizo, de Faulkner. N&#227;o gosto de escritores em particular, mas de livros. Tanto que para mim um escritor que escreve um livro que eu releia v&#225;rias vezes e escreva cem porcarias, eu vou consider&#225;-lo sempre pelo livro bom. Tanto que nem gosto de Hemingway, acho enfadonho e exibicionista. Mas O Velho e o Mar &#233; um cl&#225;ssico, claro. Assim como n&#227;o tenho medo de dizer que Fausto Wolff funciona como Lou Reed e Bukowski funciona como Ramones. Ambos praticamente escrevem sempre a mesma hist&#243;ria s&#243; que, como Lou ou os Ramones, fazem essa repeti&#231;&#227;o com extrema imagina&#231;&#227;o e compet&#234;ncia. Terminando, e nem estou mais falando de argumento e sim de refer&#234;ncia,s que tamb&#233;m acabam influenciando a hist&#243;ria, adoro best sellers desconsiderados p&#233;la intectualidade tacanha. Livros r&#225;pidos e rasteiro como O Veredito, de Barry Reed, ou ou qualquer um do Elmore Leonard. Ou livros de piratas. Sempre eles. Um pirata deve ser divertido. N&#227;o ter respeito por nada e nem por ningu&#233;m. Um pirata n&#227;o tem regras. Um bom romance &#233; como um bom pirata. Um bom romance come&#231;a como a empreitada de um navio pirata. Navega solit&#225;rio e captura o que aparecer pela sua frente. Um bom romance navega pelas lendas alheias. Um grande romance &#233; um ladr&#227;o por natureza. Segue apenas o rumo do horizonte e n&#227;o segue curso nenhum. Nem mesmo o curso de seu autor. </description>
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	<item rdf:about="http://enquanto.blog.terra.com.br/o_ambiente_de_trabalho">
		<title>O Ambiente de Trabalho</title>
		<link>http://enquanto.blog.terra.com.br/o_ambiente_de_trabalho</link>
		<dc:date>26.09.06</dc:date>
		<dc:creator>mutante.voy</dc:creator>
		<dc:subject></dc:subject>
		<description>&#160;
Antigamente alguns poucos homens tinham a habilidade e os meios para escrever e, dentre estes, menos ainda eram os que escreviam fic&#231;&#227;o. Obviamente o ato de escrever era restrito a certos ambientes e muitas vezes, ao contr&#225;rio do que se pode pensar hoje, os escribas eram relegados a castas inferiores da sociedade. A escassez de meios tanto nos salvou de que maus escritores tivessem oportunidade como tamb&#233;m nos privou de conhecer hist&#243;rias de mentes imaginativas que n&#227;o possuiam os meios ou a habilidade para transpor a hist&#243;ria em palavra escrita. Ainda sem o advento da tipografia, e mesmo sem essa, quase nada foi alterado at&#233; a populariza&#231;&#227;o da m&#225;quina de escrever, autores como Maquiavel, posicionavam-se de p&#233; para escrever em um m&#243;vel adequado com seus bicos de penas, tinta e outros apetrechos, alguns dos quais utilizou Sade, por exemplo. Se o ambiente quase sempre se restringia a escrever em uma sala arejada, pela manh&#227;, de p&#233; ou sentado, ou &#224; noite, sob a luz de velas, o combust&#237;vel do escritor foi sendo alterado com o tempo. Balzac escrevia abaixo de litros de caf&#233;. Baudelaire e muitos de seus contempor&#226;neos, dos quais destaco Teophile Gaultier, alimentados por muito vinho e haxixe. Que, &#243;bvio, tais subst&#226;ncias exerceram influ&#234;ncia na escrita, isso exerceram. Mas como afirmou certa vez o pr&#243;prio Baudelaire, &#8220;um idiota drogado &#233; apenas mais um idiota&#8221;, de tal maneira que n&#227;o &#233; a subst&#226;ncia que faz a hist&#243;ria, mas sim o escritor que liberta partes de sua mente aprisionadas pela consci&#234;ncia opressiva. J&#225; no s&#233;culo 20 o alcoolismo transformou-se no lugar comum de muitos escritores. Tanto que julgaram muitos b&#234;bado acharem que bastava encher a cara para ser um g&#234;nio. &#211;bvio que n&#227;o. Mas mesmo assim muitos cachaceiros nos premiaram com suas obras escritas sob efeitos de bebedeiras, tais como Faulkner, que tamb&#233;m escrevia alucinadamente roteiros para Hollywood, Simenon, que se trancava no quarto, sozinho, junto com algumas garrafas de vinho, e Jack London, que li s&#243; um livro mas j&#225; foi o suficiente para inclu&#237;-lo nessa pequena lista. Muitos outros encheram o saco com suas bebedeiras, mas o melhor &#233; nem cit&#225;-los. Mario Puzo &#233; o escritor que em seus relatos mais se aproxima do que vivo nos dias de hoje enquanto tento escrever um romance. Diz ele que escrevia com o baruilho das crian&#231;as por perto, a mulher incomodando com os problemas dom&#233;sticos e os pensamentos sempre divididos em escrever e resolver seus problemas financeiros. Mais adiante, ele revela que seus momentos de inspira&#231;&#227;o vinham entre as gond&#244;las do supermercado quando acompanha sua mulher nas compras. Ou ent&#227;o quando ia apostar nas corridas de cavalos. Eu, c&#225; no meu canto, necessito muitas vezes de caf&#233; forte e com a&#231;&#250;car, outras vezes, de um cerveja gelada, um gim, uma cuba ou mesmo vinho tinto seco. Nada que me embebede, pois b&#234;bado me transformo em poeta e certamente n&#227;o escreverei um romance. Tamb&#233;m o sil&#234;ncio muitas vezes se faz necess&#225;rio, mas o barulho de televis&#227;o em algum canal que passe filmes de p&#233;ssima qualidade ou escutando um tipo de m&#250;sica adequeado ao texto que pretendo fazer, tamb&#233;m me satisfazem. Se no conto posso delirar escutando Black Sabbath ou Beethoven, j&#225; no romance que tento escrever estou me resguardando de sons mais violentos e aprendendo a escutar Dvorak, T. Rex ou mesmo, acredite, George Harrison. N&#227;o que esteja virando um erudito ou um riponga. Vez em quando me alieno e coloco v&#225;rias m&#250;sicas aceleradas para divagar entre um par&#225;grafo e outro. A m&#250;sica &#233; uma grande aliada em minhas divaga&#231;&#245;es mentais para compor uma hist&#243;ria. Assim como caminhar sem compromisso. Ou dirigir pelas ruas vazias na madrugada. J&#225; as interrup&#231;&#245;es para conversa&#231;&#245;es me atrapalham e muito. N&#227;o muitas vezes sou ind&#243;cil e at&#233; mesmo agressivo com os que convivem no mesmo ambiente onde estou escrevendo. Outras vezes sou mesmo &#233; alienado ao ponto de deixar extremamente irritados os circundantes com minha falta de aten&#231;&#227;o. O calor extremo ou o frio tamb&#233;m s&#227;o interfer&#234;ncias externas que me incomodam, mas o bom mesmo &#233; n&#227;o ter uma geladeira farta ou uma cama confort&#225;vel por perto. A pregui&#231;a e a sobra de tempo podem ser inimigas do escritor. Preciso ter o tempo ex&#237;guo para que n&#227;o o perca em devaneios exagerados. Mas se tiver esse tempo de sobra, devo criar meu pr&#243;prio tempo. Sem agendas. Sem hor&#225;rios. Apenas possuir o comando de minhas a&#231;&#245;es. Apenas deixar que o romance domine meu tempo e que as outras tarefas sejam mec&#226;nicas. Apenas viver outras vidas fora de meu casco resignado. </description>
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	<item rdf:about="http://enquanto.blog.terra.com.br/uma_historia_de_amor">
		<title>Uma Hist&#243;ria de Amor</title>
		<link>http://enquanto.blog.terra.com.br/uma_historia_de_amor</link>
		<dc:date>22.09.06</dc:date>
		<dc:creator>mutante.voy</dc:creator>
		<dc:subject></dc:subject>
		<description>&#160;
Enquanto tento escrever um romance imagino uma hist&#243;ria de amor. Aumento o volume do som do computador e me deixo levar por Burt Bacharach. Os apaixonados escutam bacharach e sorriem. Como &#233; l&#237;vido o amor nas tardes de s&#225;bado antes da noite b&#234;bada que vem se aproximando. Como &#233; t&#234;nue a felicidade na adolesc&#234;ncia, no ardor do rosto, na leveza da palavra dita no ouvido num intervalo da sala de aula.
Mas depois o amor cresce e o mundo vem consumir a ingenuidade dos bem-nascidos. Sim, pois na periferia o amor nasce cedo. Nasce na necessidade da uni&#227;o. Na necessidade de se fazer algo entre a aula de nata&#231;&#227;o que n&#227;o se tem e o jogo de computador que n&#227;o se jogou. Na periferia a paix&#227;o floresce livre, assim como a desilus&#227;o e a tristeza. Assim como a felicidade mais simples e a esperan&#231;a.
J&#225; no centro do universo, entre os que t&#234;m algo na barriga e ac&#250;mulo de necessidades na mente, viceja o amor medroso. O amor covarde. O amor ego&#237;sta. Pois &#233; o amor, mesmo na periferia, uma uni&#227;o de ego&#237;smos. Uma uni&#227;o de medos. Uni&#227;o de esperan&#231;as perdidas.
Imagino uma hist&#243;ria de amor n&#227;o como imaginam os poetas de auto-ajuda. N&#227;o imagino o amor como um casal que discute a rela&#231;&#227;o. N&#227;o enxergo o amor como o medo da solid&#227;o ou a fuga dos sonhos de inf&#226;ncia. Nada disso para mim se aproxima do amor. O amor em estado puro &#233; o amor &#224; vida.
O amor &#224; vida &#233; antes de tudo o amor &#224; liberdade. &#201; o amor aos sonhos. &#201; o amor que corre atr&#225;s de outro amor. &#201; a uni&#227;o de sonhos. Uni&#227;o de del&#237;rios. &#201; a sabedoria que a solid&#227;o s&#243; existe para os incr&#233;dulos. Que a imagina&#231;&#227;o, a alma irm&#227; da paix&#227;o, mata nossos medos e que se quisermos seremos o que quisermos, mesmo na periferia como no centro. Independente da situa&#231;&#227;o social que influencie as decis&#245;es pessoais e interfira na personalidade e nos desejos, nascemos e morremos livres, disse algum dia um b&#234;bado l&#250;cido, que, por sinal, nunca est&#225; sozinho em sua inf&#226;ncia eterna.
O amor n&#227;o &#233; somente a hist&#243;ria de amor&#160;ou sexo entre dois seres humanos. O amor &#233; como a m&#250;sica que flutua solta pelo ar buscando apenas os ouvidos que lhe toquem. &#201; a luz do sol buscando os olhos que a ilumine melhor. O amor &#233; o vento procurando a pele que o refresque melhor. &#201; o cheiro de relva &#250;mida nos nariz que a respire melhor. O amor &#233; a palavra aconchegada na boca que a expresse melhor.
Independente do leitor, um bom romance sempre &#233; uma hist&#243;ria de amor.
&#160;</description>
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	<title>Enquanto Tento Escrever Um Romance</title>
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		<title>Enquanto ...</title>
		<link>http://enquanto.blog.terra.com.br/enquanto</link>
		<dc:date>04.11.06</dc:date>
		<dc:creator>mutante.voy</dc:creator>
		<dc:subject>Celebridades</dc:subject>
		<description>&#160;
... o&#160;Lorenzo ( http://cervejaefralda.blog.terra.com.br&#160;) deixa, eu escrevo. Mas nas &#250;ltimas semanas tenho escrito mentalmente. Recontando o que imaginei. Escrever n&#227;o &#233; simplesmente jogar na tela e no papel. Essa &#233; a parte final. Escrever vem antes. Muito antes. Praticamente desde que nascemos. Logo, n&#227;o acredito em quem diz que parou de escrever ou que teve um branco criativo. &#201; a diferen&#231;a que existe em quem sabe escrever bem e quem &#233; um escritor. Necessariamente quem sabe escrever bem n&#227;o &#233; um escritor. Pode ser s&#243; um redator. Um escritor envolve muito mais. Envolve a alma. E n&#227;o existe escritor sem alma.
&#160;
De jeito nenhum.
&#160;
&#160;</description>
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	<item rdf:about="http://enquanto.blog.terra.com.br/o_sorriso_do_silencio">
		<title>O Sorriso do Sil&#234;ncio</title>
		<link>http://enquanto.blog.terra.com.br/o_sorriso_do_silencio</link>
		<dc:date>09.10.06</dc:date>
		<dc:creator>mutante.voy</dc:creator>
		<dc:subject>Celebridades</dc:subject>
		<description>&#160;
Queria escrever um romance que mantivesse o equil&#237;brio entre o racional e o emocional. Que a hist&#243;ria tivesse a simplicidade das grandes hist&#243;rias, dos amores perdidos, das perdas sofridas, das desgra&#231;as alheias, das pequenas com&#233;dias di&#225;rias. Mas que ao mesmo tempo constru&#237;sse um imagin&#225;rio na mente do leitor que nascesse da raz&#227;o intuitiva do autor. Que o autor n&#227;o descambasse para a poesia de auto-ajuda ou o a literatura esot&#233;rica, pragas t&#227;o comuns na literatura contempor&#226;nea. 
Quando falo em emocional, falo em entrega. Falo como dizia Tim Maia. N&#227;o se pode escrever sobre dor de cotovelo sem nunca ter sofrido um rev&#233;s amoroso. O autor tem que estar entregue junto na embalagem do livro. Sua alma, que n&#227;o precisa necessariamente sua, pode ser roubada, mas que ser&#225; a sua vivendo na pele de outro seus pr&#243;prios dilemas. Ou ser&#225; o autor vivendo dilemas que n&#227;o os dele, mas carregando dentro desses tramas os seus pr&#243;prios medos e desejos mais secretos. Ser&#225; um ator o autor. Mas um autor que constr&#243;i dentro de seu pr&#243;prio espectro as vidas interiores de seus personagens. Dentro dessa incorpora&#231;&#227;o o autor se entrega como se entrega o bom ator em um palco ou atr&#225;s das telas. Al&#233;m da personagem ou da trama, est&#225; ali o espelho da alma do int&#233;rprete. Mas s&#243; que essa alma n&#227;o deve ser completa. Deve ser um peda&#231;o. Um detalhe. Mais que uma entrega, &#233; uma troca. O autor entrega sua alma para receber dos leitores seus sonhos e capturar seus desejos mais &#237;ntimos. Essa simbiose se materializa no ser h&#237;brido chamado livro. 
Por&#233;m tudo deve ser entrela&#231;ado pela simplicidade no vocabul&#225;rio e na beleza da forma. Tal qual m&#250;sica, poucas notas s&#227;o necess&#225;rias para que se crie a beleza pl&#225;stica. Assim como as cores b&#225;sicas se misturam e formam as mais variadas imagens na mente de artistas livres de esp&#237;rito. A beleza da forma nasce na subjetividade. No del&#237;rio da contempla&#231;&#227;o dos objetos. Na racionaliza&#231;&#227;o dos sentimentos mais prim&#225;rios e humanos. J&#225; a simplicidade do vocabul&#225;rio se adquire ao saber o autor usar da complexidade da l&#237;ngua para dizer em poucas palavras o que um intelectual, que me desculpem os pr&#243;prios, inclusive posso ser um deles, mas s&#227;o uns chatos, levaria aludas e laudas de nosso santo saco para descrever em min&#250;cias sapienciais e est&#250;pidas. N&#227;o prego aqui uma diminui&#231;&#227;o do estudo, da leitura ou da linguagem. N&#227;o! Mas existe muito mais complexidade em ser direto e simples e ao mesmo tempo belo e &#250;nico. A imagina&#231;&#227;o &#233; uma ci&#234;ncia que se pratica pelo desligamento de nosso aprendizado adquirido depois do nascimento aliado ao pr&#243;prio conhecimento conquistado pela viv&#234;ncia e conviv&#234;ncia. 
Paradoxal? 
Sim. E n&#227;o. Como a pr&#243;pria resposta que acabo de fornecer para minhas pr&#243;prias d&#250;vidas. Como o autor sentado em um banco de pra&#231;a fumando um cigarro e observando a vida alheia passando pela sua frente e em certo momento enxergar ele mesmo passando. Ele apaga o cigarro e ele mesmo acende outro na sua frente. O espelho de sua alma e de seu mundo refletidos nos espelhos dos olhos de seus leitores. Todos unidos pelo estranhamento da exist&#234;ncia. Pelo prazer da vida. Por medos seculares. Unidos pela imagina&#231;&#227;o transposta em pequenos caracteres que dan&#231;am e tocam a m&#250;sica inaudita da literatura. 
A m&#250;sica que para escutar basta apenas ficarmos em sil&#234;ncio. 
E sorrirmos. </description>
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	<item rdf:about="http://enquanto.blog.terra.com.br/argumento">
		<title>Argumento</title>
		<link>http://enquanto.blog.terra.com.br/argumento</link>
		<dc:date>28.09.06</dc:date>
		<dc:creator>mutante.voy</dc:creator>
		<dc:subject>Celebridades</dc:subject>
		<description>&#160;Um argumento nasce para mim basicamente do nada. Mas esse nada &#233; tudo. As associa&#231;&#245;es de id&#233;ias v&#227;o se formando ao longo dos anos em minha rede de neur&#244;nios at&#233; que um &#250;ltimo estalo faz com que todas transbordem juntas e seja imposs&#237;vel controlar o desenrolar da hist&#243;ria que escreverei. Poderia dizer que funciona como a fermenta&#231;&#227;o da cerveja. Ou como o envelhecimento do vinho no barril. Algumas vezes acontece assim. Mas na maioria das vezes, e quando eu realmente me sinto livre e pleno acontece como a constru&#231;&#227;o de uma barragem. Um romance que valha a pena ser escrito, lido e relido funciona assim mesmo. Ao longo do tempo a barragem &#233; constru&#237;da, o rio vai sendo nivelado e depois fecham-se e abrem-se as comportas de acordo com a necessidade de gera&#231;&#227;o de energia. O romance &#233; ent&#227;o o lago que se forma e que por muito e muito tempo vai iluminar centenas, milhares de casas. Quanto ao argumento do romance que escrevo agora, a barragem j&#225; foi constru&#237;da e agora resta deixar que o lago se forme. Admito que n&#227;o consigo transpor esta id&#233;ia de romance em algum esquema compreens&#237;vel para outras pessoas. Algumas vezes j&#225; tentei e me parece bem mais plaus&#237;vel, para meus interesses em public&#225;-lo e para a compreens&#227;o de meu primeiro p&#250;blico-alvo, o editor, que sua primeira leitura seja feita apensa depois de pronto e devidamente revisado, visto a desordem mental que me toma quando escrevo destrambelhadamente como &#233; o costume. Mesmo tentei participar de concurso e &#243;bvio que foi um desastre. N&#227;o tenho a m&#237;nima condi&#231;&#227;o de ordenar o argumento como se fosse um organograma para um bando de burocratas liter&#225;rios. Ali&#225;s, considero que basta ler o que algu&#233;m escreve para saber se o tal tem condi&#231;&#245;es de ser um bom escritor. Como fazia um antigo olheiro de futebol. Jogava a bola rente ao ch&#227;o e gritava &#8220;cabeceia!&#8221; Se o sujeitinho se jogasse no ch&#227;o, pode largar, n&#227;o joga nada. E, pra ser bem sincero, tem muita gente cabeceando no ch&#227;o por a&#237;. Queria eu escrever um romance como A Rua das Ilus&#245;es Perdidas, de Steinbeck, ou um Enquanto Agonizo, de Faulkner. N&#227;o gosto de escritores em particular, mas de livros. Tanto que para mim um escritor que escreve um livro que eu releia v&#225;rias vezes e escreva cem porcarias, eu vou consider&#225;-lo sempre pelo livro bom. Tanto que nem gosto de Hemingway, acho enfadonho e exibicionista. Mas O Velho e o Mar &#233; um cl&#225;ssico, claro. Assim como n&#227;o tenho medo de dizer que Fausto Wolff funciona como Lou Reed e Bukowski funciona como Ramones. Ambos praticamente escrevem sempre a mesma hist&#243;ria s&#243; que, como Lou ou os Ramones, fazem essa repeti&#231;&#227;o com extrema imagina&#231;&#227;o e compet&#234;ncia. Terminando, e nem estou mais falando de argumento e sim de refer&#234;ncia,s que tamb&#233;m acabam influenciando a hist&#243;ria, adoro best sellers desconsiderados p&#233;la intectualidade tacanha. Livros r&#225;pidos e rasteiro como O Veredito, de Barry Reed, ou ou qualquer um do Elmore Leonard. Ou livros de piratas. Sempre eles. Um pirata deve ser divertido. N&#227;o ter respeito por nada e nem por ningu&#233;m. Um pirata n&#227;o tem regras. Um bom romance &#233; como um bom pirata. Um bom romance come&#231;a como a empreitada de um navio pirata. Navega solit&#225;rio e captura o que aparecer pela sua frente. Um bom romance navega pelas lendas alheias. Um grande romance &#233; um ladr&#227;o por natureza. Segue apenas o rumo do horizonte e n&#227;o segue curso nenhum. Nem mesmo o curso de seu autor. </description>
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	<item rdf:about="http://enquanto.blog.terra.com.br/o_ambiente_de_trabalho">
		<title>O Ambiente de Trabalho</title>
		<link>http://enquanto.blog.terra.com.br/o_ambiente_de_trabalho</link>
		<dc:date>26.09.06</dc:date>
		<dc:creator>mutante.voy</dc:creator>
		<dc:subject>Celebridades</dc:subject>
		<description>&#160;
Antigamente alguns poucos homens tinham a habilidade e os meios para escrever e, dentre estes, menos ainda eram os que escreviam fic&#231;&#227;o. Obviamente o ato de escrever era restrito a certos ambientes e muitas vezes, ao contr&#225;rio do que se pode pensar hoje, os escribas eram relegados a castas inferiores da sociedade. A escassez de meios tanto nos salvou de que maus escritores tivessem oportunidade como tamb&#233;m nos privou de conhecer hist&#243;rias de mentes imaginativas que n&#227;o possuiam os meios ou a habilidade para transpor a hist&#243;ria em palavra escrita. Ainda sem o advento da tipografia, e mesmo sem essa, quase nada foi alterado at&#233; a populariza&#231;&#227;o da m&#225;quina de escrever, autores como Maquiavel, posicionavam-se de p&#233; para escrever em um m&#243;vel adequado com seus bicos de penas, tinta e outros apetrechos, alguns dos quais utilizou Sade, por exemplo. Se o ambiente quase sempre se restringia a escrever em uma sala arejada, pela manh&#227;, de p&#233; ou sentado, ou &#224; noite, sob a luz de velas, o combust&#237;vel do escritor foi sendo alterado com o tempo. Balzac escrevia abaixo de litros de caf&#233;. Baudelaire e muitos de seus contempor&#226;neos, dos quais destaco Teophile Gaultier, alimentados por muito vinho e haxixe. Que, &#243;bvio, tais subst&#226;ncias exerceram influ&#234;ncia na escrita, isso exerceram. Mas como afirmou certa vez o pr&#243;prio Baudelaire, &#8220;um idiota drogado &#233; apenas mais um idiota&#8221;, de tal maneira que n&#227;o &#233; a subst&#226;ncia que faz a hist&#243;ria, mas sim o escritor que liberta partes de sua mente aprisionadas pela consci&#234;ncia opressiva. J&#225; no s&#233;culo 20 o alcoolismo transformou-se no lugar comum de muitos escritores. Tanto que julgaram muitos b&#234;bado acharem que bastava encher a cara para ser um g&#234;nio. &#211;bvio que n&#227;o. Mas mesmo assim muitos cachaceiros nos premiaram com suas obras escritas sob efeitos de bebedeiras, tais como Faulkner, que tamb&#233;m escrevia alucinadamente roteiros para Hollywood, Simenon, que se trancava no quarto, sozinho, junto com algumas garrafas de vinho, e Jack London, que li s&#243; um livro mas j&#225; foi o suficiente para inclu&#237;-lo nessa pequena lista. Muitos outros encheram o saco com suas bebedeiras, mas o melhor &#233; nem cit&#225;-los. Mario Puzo &#233; o escritor que em seus relatos mais se aproxima do que vivo nos dias de hoje enquanto tento escrever um romance. Diz ele que escrevia com o baruilho das crian&#231;as por perto, a mulher incomodando com os problemas dom&#233;sticos e os pensamentos sempre divididos em escrever e resolver seus problemas financeiros. Mais adiante, ele revela que seus momentos de inspira&#231;&#227;o vinham entre as gond&#244;las do supermercado quando acompanha sua mulher nas compras. Ou ent&#227;o quando ia apostar nas corridas de cavalos. Eu, c&#225; no meu canto, necessito muitas vezes de caf&#233; forte e com a&#231;&#250;car, outras vezes, de um cerveja gelada, um gim, uma cuba ou mesmo vinho tinto seco. Nada que me embebede, pois b&#234;bado me transformo em poeta e certamente n&#227;o escreverei um romance. Tamb&#233;m o sil&#234;ncio muitas vezes se faz necess&#225;rio, mas o barulho de televis&#227;o em algum canal que passe filmes de p&#233;ssima qualidade ou escutando um tipo de m&#250;sica adequeado ao texto que pretendo fazer, tamb&#233;m me satisfazem. Se no conto posso delirar escutando Black Sabbath ou Beethoven, j&#225; no romance que tento escrever estou me resguardando de sons mais violentos e aprendendo a escutar Dvorak, T. Rex ou mesmo, acredite, George Harrison. N&#227;o que esteja virando um erudito ou um riponga. Vez em quando me alieno e coloco v&#225;rias m&#250;sicas aceleradas para divagar entre um par&#225;grafo e outro. A m&#250;sica &#233; uma grande aliada em minhas divaga&#231;&#245;es mentais para compor uma hist&#243;ria. Assim como caminhar sem compromisso. Ou dirigir pelas ruas vazias na madrugada. J&#225; as interrup&#231;&#245;es para conversa&#231;&#245;es me atrapalham e muito. N&#227;o muitas vezes sou ind&#243;cil e at&#233; mesmo agressivo com os que convivem no mesmo ambiente onde estou escrevendo. Outras vezes sou mesmo &#233; alienado ao ponto de deixar extremamente irritados os circundantes com minha falta de aten&#231;&#227;o. O calor extremo ou o frio tamb&#233;m s&#227;o interfer&#234;ncias externas que me incomodam, mas o bom mesmo &#233; n&#227;o ter uma geladeira farta ou uma cama confort&#225;vel por perto. A pregui&#231;a e a sobra de tempo podem ser inimigas do escritor. Preciso ter o tempo ex&#237;guo para que n&#227;o o perca em devaneios exagerados. Mas se tiver esse tempo de sobra, devo criar meu pr&#243;prio tempo. Sem agendas. Sem hor&#225;rios. Apenas possuir o comando de minhas a&#231;&#245;es. Apenas deixar que o romance domine meu tempo e que as outras tarefas sejam mec&#226;nicas. Apenas viver outras vidas fora de meu casco resignado. </description>
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	<item rdf:about="http://enquanto.blog.terra.com.br/uma_historia_de_amor">
		<title>Uma Hist&#243;ria de Amor</title>
		<link>http://enquanto.blog.terra.com.br/uma_historia_de_amor</link>
		<dc:date>22.09.06</dc:date>
		<dc:creator>mutante.voy</dc:creator>
		<dc:subject>Celebridades</dc:subject>
		<description>&#160;
Enquanto tento escrever um romance imagino uma hist&#243;ria de amor. Aumento o volume do som do computador e me deixo levar por Burt Bacharach. Os apaixonados escutam bacharach e sorriem. Como &#233; l&#237;vido o amor nas tardes de s&#225;bado antes da noite b&#234;bada que vem se aproximando. Como &#233; t&#234;nue a felicidade na adolesc&#234;ncia, no ardor do rosto, na leveza da palavra dita no ouvido num intervalo da sala de aula.
Mas depois o amor cresce e o mundo vem consumir a ingenuidade dos bem-nascidos. Sim, pois na periferia o amor nasce cedo. Nasce na necessidade da uni&#227;o. Na necessidade de se fazer algo entre a aula de nata&#231;&#227;o que n&#227;o se tem e o jogo de computador que n&#227;o se jogou. Na periferia a paix&#227;o floresce livre, assim como a desilus&#227;o e a tristeza. Assim como a felicidade mais simples e a esperan&#231;a.
J&#225; no centro do universo, entre os que t&#234;m algo na barriga e ac&#250;mulo de necessidades na mente, viceja o amor medroso. O amor covarde. O amor ego&#237;sta. Pois &#233; o amor, mesmo na periferia, uma uni&#227;o de ego&#237;smos. Uma uni&#227;o de medos. Uni&#227;o de esperan&#231;as perdidas.
Imagino uma hist&#243;ria de amor n&#227;o como imaginam os poetas de auto-ajuda. N&#227;o imagino o amor como um casal que discute a rela&#231;&#227;o. N&#227;o enxergo o amor como o medo da solid&#227;o ou a fuga dos sonhos de inf&#226;ncia. Nada disso para mim se aproxima do amor. O amor em estado puro &#233; o amor &#224; vida.
O amor &#224; vida &#233; antes de tudo o amor &#224; liberdade. &#201; o amor aos sonhos. &#201; o amor que corre atr&#225;s de outro amor. &#201; a uni&#227;o de sonhos. Uni&#227;o de del&#237;rios. &#201; a sabedoria que a solid&#227;o s&#243; existe para os incr&#233;dulos. Que a imagina&#231;&#227;o, a alma irm&#227; da paix&#227;o, mata nossos medos e que se quisermos seremos o que quisermos, mesmo na periferia como no centro. Independente da situa&#231;&#227;o social que influencie as decis&#245;es pessoais e interfira na personalidade e nos desejos, nascemos e morremos livres, disse algum dia um b&#234;bado l&#250;cido, que, por sinal, nunca est&#225; sozinho em sua inf&#226;ncia eterna.
O amor n&#227;o &#233; somente a hist&#243;ria de amor&#160;ou sexo entre dois seres humanos. O amor &#233; como a m&#250;sica que flutua solta pelo ar buscando apenas os ouvidos que lhe toquem. &#201; a luz do sol buscando os olhos que a ilumine melhor. O amor &#233; o vento procurando a pele que o refresque melhor. &#201; o cheiro de relva &#250;mida nos nariz que a respire melhor. O amor &#233; a palavra aconchegada na boca que a expresse melhor.
Independente do leitor, um bom romance sempre &#233; uma hist&#243;ria de amor.
&#160;</description>
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